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Suspeito por um dia...

Passei minhas férias viajando em um país que amo.

Decidi, em um desses dias, fazer compras a pé, fui primeiro à quitanda e depois ao supermercado.

No supermercado coloquei as sacolas no carrinho e fui às compras.

Chegando ao caixa coloquei os produtos que estavam no carrinho em cima da esteira e a atendente me pediu para abrir a sacola e colocar os demais produtos também.

Eu disse que aqueles produtos haviam sido adquiridos em outro estabelecimento e ela em tom de espanto me disse:

– Por que você não deixou a sua sacola guardada enquanto comprava?

– Ninguém te parou na porta e pediu para deixar sua sacola conosco?

– Os seguranças não viram?

– Por onde você entrou?

Resolvido o mal-entendido, quero esclarecer que fui muito bem tratado pelos colaboradores do supermercado e talvez eu tenha “errado” em não guardar minhas compras, pois a alta criminalidade reforça a precaução do supermercado.

Me lembrei que no Brasil, quando eu ia junto com a minha avó às compras (≈ 30 anos atrás), ela passava pela quitanda, pelo açougue e depois ia ao supermercado, onde deixava meus pertences em um guarda-volumes vigiado por funcionários.

E assim o fiz como adulto depois.

Vivo nos Estados Unidos há anos – um país onde a imagem e a credibilidade pessoal valem muito – e não é preciso guardar o que me pertence antes de tentar adquirir algo.

O hiato de 12 anos, entre a realidade normal e costumeira do passado, de “entregar e guardar” meus pertences antes de entrar em um estabelecimento comercial e o atual momento, me causou um sentimento ruim o de ser um “potencial suspeito”.

Os honestos que pagam por seu alimento e muitas vezes ajudam muitos famintos economicamente e intelectualmente, esquecem muitas vezes de protestar pelo que talvez seja a maior de todas as discriminações pela qual passamos.

O preconceito velado ou explicito, algo cultural, contra latinos, negros, membros do LGBTQ+, mulheres, enfim, algo que todos de alguma forma ainda passam.

É preciso brigar por algo a mais:

Transformar a cultura em qualquer país onde as pessoas sejam vistas como larápios, trapaceiros e marginais – por suas características e escolhas – e este tipo de situação deve fazer com que usemos nossas mídias sociais para mudar o rumo deste tema que nos une.

A cor da pele, seu local de origem, religião e orientação sexual são muitas vezes evidentes e ninguém deveria mudar o quão felizes e orgulhosas as pessoas se sentem por quem são.

Antes de compartilhar, reagir ou mesmo escrever uma publicação, pense:

– Será que estou realmente abordando as reais prioridades?

– Estou brigando contra a opinião de alguém ou usando a minha “voz” para mudar o que realmente importa?

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Vinicius David
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